Fonte: Pride Source
Tradução e adaptação: Equipe Portal Demi

“Defender a comunidade LGBT é algo que eu nunca tive medo de fazer”.

Seja por conhecer a história de sua sexualidade ou lembrar da vez em que um homem teve uma ereção no palco enquanto a cantora performava, Demi Lovato agradece os jornalistas que fazem pesquisas sobre ela.

“Obrigada por fazer sua pesquisa”, me contou a cantora e atriz de 25 anos. “Eu agradeço e respeito isso”.

Suas instruções envolvem nossa franca abordagem de assuntos da LGBTs, incluindo o desejo da ex-estrela Disney de manter um ar de mistério em relação à sua própria orientação sexual.

Enquanto promove o seu sexto álbum, “Tell Me You Love Me” (disponível em 29/09), falou de artistas que se unem junto à comunidade gay, problemas com “daddy” e Mariah Carey, enquanto explica a sua decisão de manter a boca fechada ao não falar sobre o gênero da pessoa que ela está namorando.

PS: Muitas pessoas, provavelmente, não terão a chance de se experienciarem isso, então, como é se apresentar em um bar gay de Nova York com pornô gay de fundo e um homem fazendo pole dance, que claramente tinha uma ereção?

DL: (Risos) Você sabe que até que foi interessante. Eu não estava prestando muita atenção ao que estava acontecendo atrás de mim, mas com certeza foi algo do tipo, uma experiência de uma vez, e provavelmente será a última. Na verdade, quem sabe. Pode não ser a última.

PS: Então você não estava prestando atenção “naquilo”? E por “aquilo” você sabe do que estou falando.

DL: Eu, definitivamente, percebi aquilo, mas estava tentando prestar atenção na minha performance.

PS: Aquilo foi chamada de uma das invasões de palco mais inusitadas de todos os tempos.

DL: Sim, foi muito esquisito.

PS: Já que estamos falando de pênis, fale sobre por que a primeira coisa que você falou ao aceitar o Vanguard Award do GLAAD no ano passado foi o pênis de Nick Jonas, quando você disse que o seu era maior que o dele?

DL: Foi uma piada que eu estava pensando em fazer ou não antes de subir no palco porque eu sabia que toda a plateia estava, completamente, sonhando com o Nick.

PS: Foi ainda mais especial ter Nick entregando o prêmio para você? 

DL: Aquilo, definitivamente, significou que algo estava sendo presenteado por alguém que é muito, muito próximo a mim por quase 10 anos da minha vida, mas também, foi muito incrível que eu estava sendo premiada por toda uma comunidade de pessoas. Eu não estava procurando por um prêmio. Eu estava fazendo apenas o que era certo. E as pessoas deveriam estar aceitando mais a comunidade LGBT. Então, defender e me impor em relação a comunidade LGBT é algo que eu nunca tive medo de fazer, é a coisa certa a se fazer.

PS: Você participou de muitas Paradas Gays, até filmou o vídeo de “Really Don’t Care” (2013) na LA Pride. Qual foi o seu maior momento de Orgulho Gay?

DL: Eu acho que meu momento de maior orgulho seria ter ganho o Vanguard Award. Foi simplesmente incrível. Foi realmente um ótimo sentimento e me senti muito honrada em tê-lo recebido.

PS: Quando em sua carreira você percebeu que tinha uma base de seguidores LGBT?

DL: Eu tinha essa consciência desde o começo porque eu lancei uma música chamada “This Is Me” para um filme chamado “Camp Rock” (2008) e tinham caras gays que me falavam: “Essa música ajudou a me assumir para a minha família porque ela representa quem eu sou.” Isso foi quando eu tinha 15 anos e foi muito lindo para mim, inacreditável e muito poderoso.

PS: Você se tornou uma forte defensora da comunidade gay. Eu aposto que o seu falecido avô gay estaria muito orgulhoso do seu ativismo LGBT. Eu amo o que você disse sobre ele em 2014 no “Trailblazers”, um especial da LogoTV honrando pioneiros dos direitos civis LGBT. Como ele influenciou o jeito que você lida com a sua própria sexualidade?

DL: Ele me influenciou muito. Na verdade, eu não gostaria de falar sobre isso porque eu sinto que o tirei do armário para alguns parentes, por isso é um assunto delicado.

PS: Você não sabia que ele não era assumido?

DL: Não, eu não fazia ideia.

PS: Que tal outros pioneiros gays que te inspiram? 

DL: Sabe, eu amo quem eu amo e eu sinto que olho para todos que são abertos sobre como eles são como uma inspiração e é isso.

PS: Sua sexualidade tem sido completamente discutida pela Internet após você ter dado a entender que gosta dos dois gêneros. Eu quero te dar a oportunidade de falar sobre do jeito que você quiser. 

DL: Obrigada pela oportunidade, mas acho que vou recusar.

PS: “Cool For The Summer” se tornou um hino para as pessoas da comunidade LGBT, mas o AfterEllen, um site de cultura lésbica, teve a impressão de que você estava sugerindo que a intimidade de pessoas do mesmo sexo tem que ser um segredo. Essa mensagem foi a sua intenção? Como você responderia a esses comentários? 

DL: Minha intenção com a música era apenas diversão e curiosidade bissexual. Eu acho que as pessoas olham para a letra da música e olham demais para isso. Eu gostaria de dizer para este site “relaxe” e “desencane”, porque é apenas uma música.
Nós vivemos em um mundo hoje onde não importa o que faça, você está fazendo errado. Seja apropriação cultural ou ser insensível com certos grupos de pessoas. Nós vivemos naquela época em que tudo o que fazemos é errado e, infelizmente, todos estão procurando uma voz para serem ouvidos e, às vezes, não é sempre da maneira mais positiva.

PS: Para alguém que é defensora da comunidade gay, existe algum motivo para você não falar sobre a sua sexualidade? 

DL: Eu sinto que todos estão procurando uma manchete e eles sempre querem que suas revistas, programas de TV ou seja lá o que for a serem aquelas a falarem sobre a minha sexualidade. Eu acho que é irrelevante ao o que minha música significa. Eu defendo as coisas em que acredito e as coisas que sou apaixonada, mas eu gosto de manter minha vida pessoal a mais privada possível quando se trata de namoros e sexualidade e todas essas coisas porque não tem nada a ver com a minha música. Infelizmente, vivemos em um mundo onde todos estão tentando obter algo e eu estou, propositalmente, tentando não dar esta coisa para eles. Assista ao meu documentário.

PS: Ah é? 

DL: Eu tenho um documentário que será lançado no dia 12 de Outubro, no YouTube, chamado “Demi Lovato: Simply Complicated” e eu respondo várias perguntas nele.

PS: Sobre a sua sexualidade?

DL: Sim, algumas sobre ela. Porque se eu quiser falar sobre isso, tem que ser do meu próprio jeito.

PS: Então podemos falar sobre como as drag queens estão prestes a treinarem todas as músicas deste álbum? Porque você foi jurada em “RuPaul’s Drag Race”. Você conhece a cultura drag. Qual conselho de performance você daria para uma drag queen que quer apresentar sua nova música, “Daddy Issues”?

DL: Ah, eu estava pensando que seria uma música divertida para drag! Eu acho que muitas pessoas podem se relacionar com a música, então apenas se envolva com ela e abra seu coração e alma nela.

PS: Você tem o desejo de ser um ícone gay?

DL: Se isso acontecer, será incrível. Eu acho que algumas pessoas se aproveitam da oportunidade ao tentar conquistar a comunidade gay. É algo que se acontecer, tudo bem, e eu estarei disposta a ser isso para as pessoas. Mas eu não vou tentar conquistar uma determinada comunidade para apenas dizer que eu tenho uma base de fãs.

PS: Algum cantor (a) manchou o rótulo de “ícone gay”?

DL: Não. Ninguém manchou o rótulo, mas eu ouvi as pessoas dizerem que certas pessoas estão usando a fã-base para chegar a este grupo demográfico. Eu não quero que minha música para alguém. Eu quero que minha música os defenda.

PS: Você não quer causar intrigas, é o que parece que está dizendo. 

DL: Sim. Eu nunca vou fazer isso. Se a comunidade gay ama a minha música por amarem ela, então ótimo.

PS: Quando falamos de ícones gays como Cher, Madonna e Gaga, com quem você mais gostaria de dividir o palco?

DL: Eu adoraria dividir o palco com Cher e Gaga. Eu também amaria dividir o palco com RuPaul. Eu meio que já fiz isso com ele, mas gostaria de performar.

PS: E que tal Mariah? 

DL: (Risos) Você é engraçado.

PS: Mesmo você tendo a chamado de “desagradável” pelo shade na JLo e a sua resposta quando foi perguntada quem era você foi “eu não a conheço”, vocês duas possuem prêmios GLAAD e eu gostaria de vê-las se beijando e fazendo as pazes e gravarem uma música juntas. 

DL: Eu acho que ela tem uma voz incrível, e você sabe, sim, eu adoraria dividir o palco com ela.

PS: Como você é uma pessoa que superou obstáculos para se manter sóbria, confiante e empoderada, o que você diria para uma jovem pessoa LGBT que está lutando e tentando lidar com uma situação similar a sua com abuso de substâncias e problemas com imagem corporal? 

DL: Eu acho que muitas pessoas que bebem e abusam disso na comunidade LGBT tem a ver com achar sua identidade. A coisa mais importante a se saber é que nunca vai achar a sua própria identidade através das drogas e do álcool, então nem chegue perto delas. Você não vai achar respostas nelas.