Leia â tradução e adaptação da entrevista concedida por Demi Lovato pra edição de março da Billboard Magazine, à qual é capa abaixo:

Atualmente às estrelas do pop estão enfrentando uma alta pressão. Ao longo dos dois últimos anos, as mulheres da lista, corresponderam as expectativas de seus fãs supostamente obsessivos, reinventando-se com resultados comerciais, mistos e críticos: a garota malvada (Miley Cyrus); a partidária que começou a se ativar politicamente (Katy Perry); o estilo 180 (“The old Taylor can’t come to the phone right now… ’cause she’s dead”); Selena Gomez, que enquanto isso, lançou diversos singles de teste, ao invés de lançar um álbum completo em 2017. E em seguida, há Demi Lovato, que com apenas 25 anos, passou uma década de sua carreira, trabalhando constantemente em sua transparecia.

A verdade, é que Demi Lovato me encontrou em uma tarde de fevereiro em sua casa lastrada à cima do Laurel Canyon em Los Angeles, sentada em um sofá cor de creme, o rosto ainda corado de seu treino matinal. “Eu não sou uma corredora, mas eu corri hoje de manhã. Eu estou exausta”, confessa Lovato enquanto ela me entrega uma garrafa de água equilibrada com PH. “Você está suando? Está quente aqui. Deixe-me ter certeza que o ar está ligado”. Apesar do calor, ela está usando uma camisa Run-DMC dos Berneys – embora eu pergunte se ela é fã, ela balança a cabeça e ri: “Eu sou totalmente o tipo de pessoa que só usa camisetas de banda porque elas parecem fofas”.

Em algumas horas, Lovato irá para Sacramento, Califórnia, onde está ensaiando pra sua nova turnê de arena, que está promovendo seu álbum “Tell Me You Love Me”, que alcançou à #3 posição na Billboard 200 (atualmente está à #31).

Mas Lovato parece impermeável ao tumulto. Ela pega um Yorkie-Poo preto que está dormindo em seus pés. “Este é Batman”, ela diz. “Ele é meu super-herói”. Esta mansão de US$ 8,000,000 resistiu a caos muito pior: em fevereiro de 2017, foi quase tudo destruído em um deslizamento de terra que parou apenas em sua porta da frente.
“Tudo começou com o TMZ”, lembra Lovato. “Eles mostraram fotos da minha casa. Eu fiquei tão chateada. Se um fã enlouquecido estudasse aquelas fotos, eles poderiam entrar”. E alguns meses depois alguém tentou exatamente isso. “Ele sabia que eu tinha saído. Eles tinham uma escada e estavam subindo para o segundo andar. Meu gerente de casa estava aqui e os cães começaram a latir, ele abriu a porta e viu um homem na varanda e ele correu”, “Meus cachorros” – minúsculo Batman – “salvou o dia”.

No decorrer de seis álbuns, entre eles, cinco Top 5 na Billboard 200, Lovato provou ser uma força confiável nos charts, que pode alçar qualquer coisa desde hinos de superação (“Skyscraper” e “Confident”) para músicas para os obcecados pelo verão (“Cool For The Summer”) para fãs de EDM (sua colaboração com Cheat Codes em “No Promises”) para o crossover latino (“Échame La Culpa”, que atingiu o à #1 no Billboard Latin Airplay). Ela atingiu um nível de fama alcançado por pessoas como Justin Bieber e Britney Spears.

Mas, juntamente com os sucessos, uma sinceridade desprezível é o que os fãs de Lovato chegaram a mais esperar dela. Antes que outras estrelas do pop compartilhassem regularmente suas lutas com os fãs nas mídias sociais, Lovato revelou tudo, desde o diagnóstico sobre bipolaridade e alcoolismo até seu trastornos alimentar e seu primeiro período na reabilitação após o incidente de 2009, enquanto estava em turnê com os Jonas Brothers. “Essa foi a nossa oportunidade de desenhar uma linha na areia”, diz Phil McIntyre, empresário de Lovato. “Nós poderíamos ir à máquina pop fabricada e tentar apresentar uma imagem perfeita o tempo todo. Ou poderíamos ser reais e simplesmente deixar as pessoas entrar. A autenticidade profunda funciona”.

Seja em uma música ou no seu ativismo fora do palco, a autenticidade se tornou tão sinônimo de Lovato, que até reflete em suas parcerias comerciais. Quando a atriz Kate Hudson estava à procura de seu primeiro colaborador para sua linha esportiva, Fabletics, “a Demi estava no topo da lista”, diz a diretora de marketing Kristen Dykstra. “Ela incorpora tantos elementos da marca, incluindo capacitação feminina e positividade corporal”.

No entanto, da mesma maneira que tenha aumentado seu poder de permanência, o grau em que Lovato se expôs à verdade a seus fãs, ela também de trancou a abrir certas coisas de sua vida. “Eu tenho limites. Há coisas que provavelmente nunca compartilharei com o mundo, porque eu já me dei muito”, diz Lovato. Mas é uma questão de tempo, além do porque, ela sempre se abre. A honestidade brutal “me responsabiliza. Quando comecei a falar sobre minha sobriedade – nunca pensei que seria desperdício. Seu eu me recordo bem… isso mostra aos meus fãs que faz parte ter recaídas. E não se pode evitar”.

Apenas 24 horas depois, estou em Sacramento, onde Lovato está ensaiando para sua nova turnê. No dia anterior nos demos um abraço inesperado (“Eu sou uma hugger”, ela havia dito), mas em um breve pausa do ensaio está tarde, Lovato está firmemente no modo de trabalho. “O que eu não gostei na última turnê [Future Now Tour] é que eu não tinha ninguém no palco comigo”, ela explica. “Eu não tinha dançarinos, minha banda ficava escondida, havia muita pressão sobre mim e minha voz”. Desta vez, ela diz, o nível da produção é alto: dançarinos, projeções de vídeo e um coro da cidade local em que estiver para se juntar à ela nos dois grandes números finais, “Sorry Not Sorry” e “Tell Me You Love Me”.

Lovato trabalha desde seus 18 anos (atualmente tem 25 anos), ela tem tido uma plateia para os últimos 5 (ela está junta com DJ Khaled e Kehlani). Lendo o livro de memórias de sua mãe, Lovato me contou de volta a Los Angeles: “Eu não havia percebido quanto estresse conseguia aguentar. Tinha algumas horas que eu estava enlouquecendo e não lembro de nada”.

Em um esforço para despistar seus fãs, ao mesmo tempo que controla sua própria narrativa, ela fez 2 documentários: O “Demi Lovato: Stay Strong” da MTV em 2012, que supostamente fala sobre sua sobriedade, mas Lovato agora admite; “Eu estava drogada na metade disso”: e em 2017, “Demi Lovato: Simply Complicated”, um dos recursos do YouTube. Enquanto o doc tinha a sensação elegante de um filme promocional, Lovato era sincera sobre suas lutas – o que lhe atraiu fãs, incluindo DJ Khaled e Kehlani.

“Eu sabia sobre Demi Lovato, a superstar”, diz Khaled. “Mas quando eu vi o documentário, eu comecei a ver sua jornada e eu poderia dizer: ‘cara, estou orgulhoso dela'”. Diz Kehlani: “muitas pessoas estão passando por isso nesta indústria e muitas pessoas têm as mesmas histórias, ou histórias mais loucas, e nunca vão compartilhar. Alguém corajoso o suficiente para compartilhar coisas que as pessoas poderiam usar contra elas em algum momento, é instantaneamente um super-herói nos meus olhos”.

Lovato tem pouca tolerância para qualquer tipo de fachada. “As pessoas não estão dispostas a relaxar em casa com você, são o tipo de pessoa que só querem ser vistas com você”, diz ela. “Quando eu e Ariana Grande saímos, foi tão tranquilo. Uma das vezes até fui na casa dela. Ela nunca tinha ouvido falar sobre os assassinatos de Charles Manson”. Ela está do lado de Iggy Azalea, e quando eu mencionei que a internet parece ter ativado Azalea, Lovato ergueu-se em sua defesa. “Ela é muito franca. Ela não bebé nem faz festas. Ela lutou muito”, diz Lovato. “Ela é muito franca, s as vezes isso pode afastar as pessoas. Mas essa é uma das razões pela qual eu a amo. Ela não é do tipo de pessoa que mente pra você”.

A tolerância de Lovato atingiu seu máximo no Met Gala de 2016 em New York. “Eu tive uma experiência terrível”, diz Lovato com sua voz se alterando. “Essa celebridade foi uma completa vadia e foi miserável estar perto dela. Eu me lembro de estar tão incontornável que eu queria beber”. Ela enviou uma mensagem para seu empresário, após o evento, e foi direto para uma reunião do AA às 10PM.

“Eu troquei minhas roupas, mas ainda tinha meus diamantes… milhões de dólares em diamantes em uma reunião do AA. E eu me identifiquei mais com as pessoas sem-teto daquela reunião, que lutam com as mesmas lutas que eu, do que com as pessoas que estavam no Met Gala: falsas e chupando o pênis da indústria da moda”.

“Há muitos tiroteios acontecendo neste país”, diz ela. “Eu sou pro-controle de armas. Obviamente, para mim…”, ela faz uma pausa considerando as possíveis consequências de suas palavras, “a política é difícil de falar”. Mas mais tarde quando retornamos ao assunto, ela respira profundamente e descarrega.

“Há certas estrelas do pop que tem diversos fãs que não falam sobre política. Mas eu prefiro falar das coisas que eu acredito que simplesmente desconsidera as coisas que estão acontecendo no nosso país”.

“Eu me sinto desconfortável com meu próprio corpo”, disse ela, admitindo que luta com “qualquer coisa que à provoque… mas não queria. Vivemos em um mundo onde as mulheres sentem pressão por um simples olhar, e eu sou vítima disso. Sinto que tenho que me vestir de uma certa maneira, para apelar para certas democracias. Mas, na verdade, não deveria ter que fazer isso”.

Ela está trabalhando com uma nutricionista, mas começou a comer queijo e carboidratos novamente, e enquanto ela diz que certos pontos estão desencadeando, ela está “aprendendo pela primeira vez como ir aos restaurantes. Por tantos anos, eu fiz dietas”. Sobre suas roupas da turnê ela diz: “talvez não sejam tão sexys porque não é onde eu estou na minha vida atualmente. Ela me fala encorajada. “Mas, honestamente, eu não ligo. Não é por isso que as pessoas vão aos meus shows”.

Ela está certa: eles vêm ouvir os instrumentos de sua voz, que ela levanta todas as noites, a voz que me surpreendeu quando, no ensaio ela cantou a balada “You Don’t Do It For Me Anymore”, qual ela abre o show. “É tão vulnerável, tão cru”, diz ela. “Eu não estou cantando sobre um cara, eu não estou cantando sobre um relacionamento. Eu nunca cantei isso sobre um cara. É sobre meu relacionamento com meus maus hábitos”.

“Estou animada para testemunhar como funciona uma turnê em arenas, e para aprender com Demi e Khaled”, diz Kehlani, que já tocou apenas em lugares menores. Seu dueto dos sonhos com Lovato?… “Sorry Not Sorry”.

“Demi, Khaled, Kehlani… essa é uma ótima formação”, diz DJ Khaled com um grande entusiasmo. “Essa foi uma decisão com o coração”, diz Lovato. “Ela é uma cantora de fazer ao vivo. Você vê o seu talento cru. Ela lhe dá um show real, e esse será um verdadeiro show. Essa turnê entrará para a história”, diz Khaled.

Fonte: Billboard
Tradução e adaptação: Equipe Portal Demi

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